Tal simetria que é pedaço teu
nesta porção é inexata e desigual
como a argila que pisas
Tu que sempre fostes medíocre
levada a cabresto pelo dolo alheio
como a mula que montas
Fina melancolia que é irmã tua
entardece, escurece, amanhece
como o vinho do tonel
e a vida emudece na fazenda
Pena não te ver dali
a cortina encobre tua história
como a concha do mar
Se a luz se acende: exaltação
ouço os movimentos e espero
como o garoto e a viagem
Agora te avisto nitidamente: outros ares
a trilha viva toca ao fundo
como o preceder do horror
e a vida é um lindo paradoxo
Do palco não podes me ver
a multidão calada abafa o meu gritar
como sempre foi
Antes do eco, o fim do espetáculo
a cortina se fecha, a multidão sai
como a paixão dos homens
Seu corpo caído e imóvel
a fumaça que ainda sai do cano
como um suave incenso
e a vida se finda no teatro da cidade
A fumaça que não purifica o psicopata
o sangue que lava o piso dos bons
como o último capítulo
Melhor ouvir os brados alheios!
Berram menos que o sussurrar interior
(Daniel G. Costa)
sábado, 22 de setembro de 2007
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
O GATO
Entre pernas, ramos, árvores
cadeiras, café, cantina, mesa...
Um corpo negro, dois olhos acesos: Gato
Entre olhares, pegadas, amores
alguém ali se sente como a disforme fera...
Um pensamento latente, duas tragetórias: Humano
(Cleibson Freitas, Daniel G. Costa / Ufes - 31/08/2007)
cadeiras, café, cantina, mesa...
Um corpo negro, dois olhos acesos: Gato
Entre olhares, pegadas, amores
alguém ali se sente como a disforme fera...
Um pensamento latente, duas tragetórias: Humano
(Cleibson Freitas, Daniel G. Costa / Ufes - 31/08/2007)
BANQUINHO
A noite cinza e fria
no lugar que nós sabemos
você longe, impossível, impalpável
Em meio à turvação
a imagem que eu previa
da lembrança
O que Drummond não expressou
nós sempre sentimos
Ao poeta, a função
aos amantes, o dom
E se o sabor da fantasia nos motiva
o sonho não desloca totalmente do momento
Felizes seremos se sempre acreditarmos
no sublime afeto,utópico que seja
e na pureza do tom que o papel deseja
Que fique aos incrédulos
a indiferença pós-moderna
a desesperança desesperada
o desamor desanimado
Nenhum deles contemplou o teu sorriso
A nós que amamos
permaneça a imagem do velho banquinho de praça
que o progresso apagará como rói a traça
e o porvir verá o casal de velhinhos
sentado em algum lugar
em amores juvenis a recordar
um tempo em que hostilizavam
menos por sentimento que por banalidade
e aqueles
tinham tempo para amar.
(Daniel G. Costa)
no lugar que nós sabemos
você longe, impossível, impalpável
Em meio à turvação
a imagem que eu previa
da lembrança
O que Drummond não expressou
nós sempre sentimos
Ao poeta, a função
aos amantes, o dom
E se o sabor da fantasia nos motiva
o sonho não desloca totalmente do momento
Felizes seremos se sempre acreditarmos
no sublime afeto,utópico que seja
e na pureza do tom que o papel deseja
Que fique aos incrédulos
a indiferença pós-moderna
a desesperança desesperada
o desamor desanimado
Nenhum deles contemplou o teu sorriso
A nós que amamos
permaneça a imagem do velho banquinho de praça
que o progresso apagará como rói a traça
e o porvir verá o casal de velhinhos
sentado em algum lugar
em amores juvenis a recordar
um tempo em que hostilizavam
menos por sentimento que por banalidade
e aqueles
tinham tempo para amar.
(Daniel G. Costa)
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